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A humanidade

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  Ao longo da história, dos anos, dos séculos e até milênios, a humanidade sempre mostrou duas faces. Fomos capazes de atrocidades impensáveis desde que existimos. Escravizamos pessoas, matamos em nome de religiões, torturamos pela honra à pátria, mandamos aos campos de concentração por questões racistas, ideológicas, de discriminação. Um dia fomos tão horríveis quanto os maiores vilões do cinema ou quanto os piores seres descritos por pensamentos religiosos. Isso no sentido coletivo. No sentido individual também podemos ser tão horripilantes na forma como tratamos pessoas que dizemos amar e na maneira como nos comportamos com pessoas que nunca vimos, mas que por uma palavrinha mal colocada se torna nossa pior rival digna de ser aniquilada. Fomos horríveis. As razões podem ser muitas. Mas uma precisa ser destacada: fizeram-nos horríveis . Crianças não matam, crianças não têm preconceito, crianças não o veem como um inimigo em potencial . Crianças sorriem para qualquer um em qualque...

E quando acaba?

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  Às vezes acaba. E isso é normal. A vida é feita de ciclos, não é verdade? Um dia fomos crianças curiosas, então nos tornamos adolescentes questionadores, passamos a ser adultos centrados e fomos idosos reflexivos. Um ciclo se encerra e outro começa. Assim é nas coisas da vida, inclusive com alguns de nossos relacionamentos. Não queremos que acabem, que terminem, que cheguem ao fim. Sonhamos tanto com aquilo, com a sua duração, com as emoções que seriam despertadas em nós, que ansiamos amargamente para que seja eterno, duradouro. Mas às vezes acaba. Por inúmeros fatores, de maneira que não podemos nos culpar ou culpar aos outros. É claro que alguns desses relacionamentos acabam por motivos trágicos. Mas a maioria termina porque já foi desfrutado na sua plenitude, era para ter somente aquela duração, tudo o que havia para ser oferecido assim o foi, eis que chegou o momento de seguir em frente , deixar o que foi bom nas lembranças e não tornar o que era tão maravilhoso em algo desga...

O mal do século

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  Há alguns anos Legião Urbana já dizia: “ o mal do século é a solidão. Cada um de nós imerso em sua própria arrogância ”. Você acha que estavam certos? Eu acho que sim. Essa arrogância, que nos afasta das pessoas, causa tantos outros males além da própria solidão: lança-nos a um mar de depressão e melancolia do qual, por mais que nademos, não conseguimos sair, porque, para tanto, necessitaríamos nos desvestir de nossa impetuosidade exacerbada e nos revestirmos de humildade para reconhecer que precisamos dos outros, mesmo daqueles que tanto desdenhamos e desprezamos. Essa arrogância também motiva as faltas de compreensão que vivenciamos por aí: as pessoas não se respeitam mutuamente em sua existência, não conseguem aceitar aquele que é diferente do seu eu, tudo porque são arrogantes o bastante para se considerarem como modelos do universo. E nessa de se acharem tão perfeitas, tão exemplares, tão ímpares, acabam solitárias e sozinhas porque nunca, ninguém, em seu julgamento, é bom...

Amar a quem quiser amar

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  O amor é nobre . O amor é inegável e irrefutavelmente nobre. Ele transforma, enriquece, amadurece, engrandece, encoraja. Ele faz sonhar, imaginar, planejar, ter esperança num futuro esplêndido, num amanhã melhor. O amor pode ser o combustível de muita gente que busca por forças na caminhada. O amor é muito maior do que podemos imaginar, sobretudo quando é verdadeiro, quando é genuinamente vivido sem preocupações, sem culpas, sem receios, com completa liberdade e devoção. É uma pena que muitos se permitam aprisionar por pensamentos equivocados e deixam passar a oportunidade de amar, de acreditar no amor, de senti-lo realmente. É uma pena que num mundo de ódio gratuito, o amor seja tido por vergonha abominável . E digo isso porque a todo o instante as pessoas querem nos dizer quem devemos ou não amar, ao lado de quem devemos ou não estar. É não é apenas no sentido romântico do termo, em outros âmbitos também. As pessoas apontam seus dedos tortuosos num julgamento irracional que det...

O pior naufrágio

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  “ O pior naufrágio é não partir ”. Esse é um pensamento de Amyr Klink, para o qual convido a você parar um pouco a correria do dia e refletir sobre ele. O pior naufrágio é não partir. Penso comigo que o autor da frase quis nos levar para uma viagem interior, para dentro dos nossos pensamentos, sentimentos, para tudo aquilo que existe dentro desse universo tão vasto que pode ser conquistado e explorado através de um processo de autoconhecimento. Penso que ele quis nos levar para um fato inerente a muitos de nós: o medo de ir. Medo de ir atrás do que queremos, medo de sonhar os sonhos que sonhamos, medo de amar a quem amamos, medo de receber amor de quem apenas queríamos isso. Medo de viver. Medo porque a vida é mesmo assustadora, mas deliciosamente assustadora . Para quem a vive, ela é imprevisível. Seus episódios não são monótonos. Seus capítulos são cheios de reviravoltas e revelações que jamais esperávamos que pudessem acontecer. Suas experiências são capazes de tirar o fôlego,...

Perspectivas

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  Quanto mais um avião sobe, menor ele parece aos nossos olhos. Por mais que conheçamos o seu real e grandioso tamanho, mesmo assim, quanto mais ele se distancia do solo e adentra a atmosfera, menor ele parece ser. Isso porque não conseguimos acompanhá-lo. Não temos a capacidade de fazer o que ele está fazendo. Não sabemos nem podemos voar como ele voa para, então, nunca termos a percepção de que ele está diminuindo. Mas e quanto a quem está dentro do avião? Para ele, o mais alto dos prédios agora não parece ser mais do que um protótipo de maquete, isso porque a sua perspectiva também mudou, agora ele está no alto, no topo, distante do que ficou lá embaixo. Na vida é assim. “ Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar ”. Essa frase, do filósofo Friedrich Nietzsche, ajuda-nos a resumir a ideia do parágrafo precedente. Não adianta. Para aqueles que não conseguem se libertar das amarras, que não são capazes de bater as próprias asas e deixar de ...

Tudo vem. Tudo vai...

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  Como todo ciclo, a vida tem os seus começos e os seus finais. Tudo vem. Tudo chega. E tudo vai. Tudo parte . Faz parte da nossa história. Faz parte dos nossos dias. O tempo é contínuo, não tira férias nem faz uma pausa, o tempo corre incansavelmente e leva consigo todas as experiências, todas as conquistas, todas as oportunidades que um dia nos pertenceram. Alguns chegam, outros seguem o seu rumo. E assim vamos vivendo. Acompanhando esse fluxo que nunca é interrompido, essa continuidade que não aceita paradas. A estrada da vida não nos permite encostar um pouquinho para respirar. Temos que respirar enquanto a percorremos . Desse modo nossas histórias também acabam. É claro que temos a grande História, aquela que construímos desde o nosso nascimento, e ela só se encerrará quando o nosso sistema nervoso der por encerrado o seu expediente, mas até lá vivemos outras pequenas histórias, episódios que tornam a vida cheia de novidade, nada monótona. O problema é que essas histórias acab...

O que é bom para você?

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  “ Ora, se não eu Quem mais vai decidir O que é bom para mim ?” Esses versos, de Los Hermanos, encorajam-nos a tomar as rédeas de nossa própria vida e fazer as nossas próprias escolhas. Ninguém pode viver por nós . Ninguém pode optar por esse ou por aquele caminho em nosso nome. Apenas nós conhecemos os nossos desejos, os nossos sonhos, as nossas vontades. Apenas nós podemos reconhecer de fato o tamanho da nossa força, a magnitude de nossa potencialidade. Se transferirmos a responsabilidade de escolher para os outros, correremos o risco de sermos lançados a uma vida simples demais para o que realmente seríamos capazes de viver . Talvez eles não saibam qual é a nossa força, talvez não vejam o nosso tamanho, e, então, superestimem a nossa capacidade ou subestimem o nosso poder. O fato é que dificilmente farão boas escolhas porque não conhecem a nossa essência. Então, o que é bom para você? A vida como ela está? Ou a vida como ela poderia ser? Se você não vive a história que sonha...

Sua dor é real

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  Vivemos num mundo em que a felicidade é hipervalorizada . Todos querem estar bem o tempo todo. Aliás, muitos querem estar melhores do que os outros. A vida parece uma verdadeira competição . As redes sociais nos mostram isso: ninguém aparenta estar em sofrimento, todos procuram pelo melhor ângulo para exibirem o quanto a vida é benevolente para com eles. Mas isso é ilusão. Na Internet corremos um grande risco de misturar a vida real com a vida ideal. A vida real é a que temos, com derrotas e fracassos, com dores e angústias, mas também com motivos para sorrir e se alegrar, com razões para festejar e comemorar . A vida ideal, que não existe , é aquela em que só existiria paz e harmonia, equilíbrio e tranquilidade, sucesso e riqueza. E, então, incomodados por alguma dor, experienciando algum sofrimento causado por infortúnios da vida, pensamos que há algo errado conosco . Tentamos esconder nosso desprazer de nós mesmos, acreditar em algo que não é real, desviar o foco e não acolher...

Que a vida nos impressione!

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  Muitos de nós sentem medo ao pensarem sobre a própria vida, ao cogitarem a corajosa ideia de se arriscarem a uma história de conquistas e tantas realizações. Sentem medo de fracassar. Sentem medo de não conseguirem fazer com que as coisas saiam exatamente como gostariam. Mas esse medo não é necessariamente pelo que vão sentir quando notarem que algo esperado não aconteceu, esse medo em muitas vezes é voltado ao que as pessoas vão achar . “ O que vão dizer do meu erro ?”. Quando não é medo por um fracasso que pode ser superado, sentem medo pelas opiniões que são dispensadas. “ Eles não acreditam no meu potencial. Não conseguem ver sentido na minha própria história ”. É nesse momento que precisamos parar e refletir sobre o que estamos fazendo do nosso direito de existir. Estamos sendo nós mesmos ou será que não passamos de cópias de alguém, de algum pensamento, de alguma imagem concebida antes mesmo de existirmos ? Além disso, a história da nossa vida não deve impressionar uma plat...