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A coragem de desistir

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  A ideia de desistir pode nos assustar porque ela traz consigo a certeza de que aquilo no que estamos insistindo já perdeu o sentido, o significado, o valor . E pode ser que um dia aquilo tenha representado algo de grande prestígio para nós, algo sem o qual não nos imaginávamos sem. Mas o fato é que, como já conversamos por aqui, a vida é impermanente, muda, flui. De maneira que tudo muda com ela. Nós e o mundo. E, portanto, coisas que fizeram sentido talvez hoje não façam mais. E insistir nelas é insistir apenas em ideias e ilusões . E ideias e ilusões não nos garantem as mesmas emoções e os mesmos sentimentos de quando as coisas são reais e verdadeiras. Daí a importância de abrirmos mão daquilo que já não funciona e não tem razão para permanecer em nossa existência: para que tornemos a experimentar dos prazeres da vida a partir de novas experiências que sejam genuinamente reais e verdadeiras . Desistir pode ficar ainda mais difícil porque a sociedade na qual vivemos preza pelo s...

A vida pede urgência

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  A vida exige de nós que tenhamos urgência por vivê-la pelo simples fato de que ela é finita, efêmera, passageira . Mas tomemos cuidado. Viver a vida com urgência não quer dizer que a viveremos afobados, repletos de ansiedade, como verdadeiros desnorteados, como pessoas que tentarão abraçar o mundo ignorando os limites dos próprios braços. Não é isso. Isso seria viver a vida com ignorância, por ignorarmos que para bem viver é necessário que vivamos com sabedoria. Mas, se urgência não quer dizer ansiedade, então o que quer nos mostrar? É muito simples. Viver a vida com urgência é vivê-la com autenticidade . É passar por ela de verdade. É senti-la na pele como sentimos a água que cai do chuveiro e percorre o nosso corpo. Porque a verdade é que muitos passam pela vida, mas não a sentem, não a percebem, não a vivem realmente . Podem estar respirando, podem estar se alimentando, podem estar indo de um lugar ao outro, mas ainda assim não estão vivendo. Sobrevivem. Mas não vivem. Porque ...

Acrescentar vida aos nossos dias

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  Alguns vivem desejando acrescentar mais dias à sua vida. E para isso seguem rotinas rigorosas de exercícios físicos, por exemplo, de meditação, de alimentação balanceada e uma infinidade de outras recomendações apontadas como capazes de fazer prolongar o nosso tempo por aqui. Não estão sem razão. Precisamos e devemos cuidar do nosso corpo, da nossa mente, do nosso bem-estar. Mas é mais por uma questão de saúde, para termos qualidade de vida, e menos para termos quantidade de dias . Porque a verdade é que estaremos sempre suscetíveis à finitude de nossas vidas, façamos ou não exercícios. É bem verdade que alguém bem condicionado tem as chances de morrer de um enfarto bastante reduzidas em comparação com alguém sedentário. Mas atletas ou sedentários, morreremos, não poderemos acrescentar tempo ao nosso tempo, aliás podem acontecer acidentes no curso da vida e, sejamos idosos ou jovens, poderemos partir . Portanto, buscar acrescentar tempo ao nosso tempo não é de todo satisfatório. ...

A transformação

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  Às vezes a gente precisa olhar para a nossa vida com a intenção de mudar as coisas . E mudar num sentido profundo. Às vezes a gente precisa assumir para nós mesmos que certas coisas já não fazem sentido, que certos contextos já não nos pertencem e que certas pessoas não nos são mais positivas . Por mais que doa, ou incomode, às vezes precisamos aceitar que não somos mais os mesmos, que não pensamos mais as mesmas coisas e que chegou a hora de nos posicionarmos a partir de quem nos transformamos. Não quer dizer que somos pessoas completamente novas, como se tivéssemos renascido. Quer dizer apenas que as experiências da vida nos permitiram encontrar novos horizontes . O que acontece é que podemos nos sentir presos e limitados por aquelas coisas que insistimos em trazer conosco, quando na verdade elas já não têm espaço dentro de nós. E acabam se transformando em fardos difíceis de carregar. Coisas que antes eram tão agradáveis e queridas, passam a ser vistas com pesar e desespero. P...

O último encontro

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  O amanhã, talvez, não nos alcance. E tudo o que tivemos foi o hoje que vivemos . Isso seria recebido por você com alegria, satisfação e regozijo, ou brotaria em seu coração alguma amargura, certo arrependimento, pelo tempo que foi perdido e não poderá mais ser recuperado? Ou pela forma equivocada com a qual você finalizou os seus encontros e reencontros? E se hoje foi a última vez que você fez algo de que gostava, esteve com alguém a quem estima, abraçou aquela pessoa que mais ama? Foi o bastante ? Teve qualidade? Fez o que teve vontade? Aproveitou essa última oportunidade como se fosse, realmente, a última? Porque o nosso erro está em saber que o fim vai acontecer, mas não acreditar que ele vá mesmo acontecer. Porque uma coisa é estarmos avisados de que a vida passa, flui e chega ao seu fim. Outra coisa é nos convencermos que estamos nos dirigindo ao ponto final de nossas histórias . E por essa falta de convencimento, vivemos despreocupados, cometendo diversos erros, postergando...

Nós nos perdemos da nossa espontaneidade

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  Espontaneidade . Essa palavrinha – ou seria palavrão? – vem do latim “sponte” e quer dizer algo relativo à nossa própria vontade – agir, pensar, enfim, existir a partir da nossa vontade . Erich Fromm, em seu livro O Medo à Liberdade, diz que nós nos perdemos ao longo da nossa vida da capacidade de sermos espontâneos, ou seja, de agirmos ao nosso próprio governo, porque acabamos modificados, conforme o tempo passa, pelas convenções e determinações que nos rodeiam a partir da sociedade na qual estamos inseridos . O autor traz dois exemplos de pessoas que, por algum momento, ainda agem de acordo a si próprios: as crianças, que a partir da sua espontaneidade, fazem perguntas “proibidas”, expressam sentimentos e emoções “inadequados” e demonstram comportamentos “inaceitáveis” com uma naturalidade que incomoda sujeitos aprisionados a uma falsa liberdade que pensam possuir. O outro exemplo são os artistas de sucesso que, ao conseguirem vender sua arte, composta pelo resultado de seus pe...